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Excesso de gases intestinais: normal ou hora de investigar?

Excesso de gases intestinais: o que é normal, como preparar o feijão, a diferença entre gases, distensão e aerofagia e os sinais de alerta para investigar.

Vinícius Graton · CRN-9 9877Publicado em · 16 min de leituraConteúdo informativo, escrito por nutricionista.
Tigela de feijão cozido com folhas verdes, copo de água e mamão sobre mesa de madeira clara

Soltar gases várias vezes ao dia costuma ser normal, porque o intestino fermenta fibras e outros carboidratos. O que merece atenção é o incômodo que atrapalha a rotina, a barriga que incha muito ou a presença de sinais de alerta, como sangue nas fezes e perda de peso sem explicação. Cada caso depende de avaliação individual.

Dúvida de consultório, de grupo de família e de buscador: "será que eu tenho gases demais?". A resposta curta é que gás é parte do funcionamento do intestino, mas existe um limite entre o que é esperado e o que pede investigação. Este texto explica de onde os gases vêm, mostra o que os estudos observaram sobre feijão, a diferença entre gases, distensão e engolir ar, ensina a usar um diário de sintomas, traz um exemplo de dia com porções caseiras e lista os sinais de alerta em dois níveis. O conteúdo é informativo, sem promessa de resultado, e não substitui consulta médica ou nutricional.

De onde vêm os gases e por que alimentos saudáveis também causam

Os gases do intestino têm duas origens principais: o ar que engolimos junto com a comida, a bebida e a saliva, e a fermentação feita pelas bactérias do intestino grosso. Fibras, amidos que não foram totalmente digeridos e alguns açúcares chegam ao final do trajeto sem ter sido absorvidos e viram alimento para essas bactérias. Como resultado, elas produzem gás. Ou seja, boa parte da formação de gás é consequência de comer alimentos de origem vegetal, e não sinal de que algo está errado.

Um estudo publicado na revista Gut acompanhou 30 pessoas que se queixavam de flatulência e 20 pessoas saudáveis. Durante três dias de alimentação habitual, as pessoas saudáveis registraram em média 7,4 eliminações de gás durante o dia (anotadas por um marcador de eventos), e os pacientes, 21,9. O detalhe mais interessante é que o volume de gás eliminado depois de uma refeição padrão foi praticamente o mesmo nos dois grupos, cerca de 262 mL nos pacientes e 265 mL nos voluntários saudáveis. Quando os dois grupos passaram a seguir, por mais três dias, uma dieta que favorece a formação de gás, ambos tiveram mais sintomas e mais eliminações, e os pacientes apresentaram instabilidade na composição da microbiota. Os autores concluíram que quem se queixa de flatulência tem baixa tolerância ao gás intestinal (Manichanh et al., Gut, 2014). Em português claro: nesse estudo, o problema parecia ser menos produzir muito mais gás e mais tolerar mal o gás que todo mundo produz. Foi um estudo pequeno, de poucos dias, e não dá para dizer que isso vale para todas as pessoas com gases.

Isso muda a abordagem. Em vez de cortar alimentos às cegas, o caminho mais útil é entender quais situações disparam o sintoma, quanto da queixa vem da quantidade de comida e do jeito de comer e se existe algum quadro de saúde por trás.

O que é normal e o que merece atenção

Sem fixar um número mágico, dá para usar três perguntas como régua geral:

  • O gás atrapalha a sua vida? Dor que interrompe atividades, desconforto que se repete todos os dias ou vergonha que leva a evitar compromissos sociais justificam uma conversa com o médico, mesmo sem sinais graves.
  • O padrão mudou? Gases que sempre existiram e variam com a comida são diferentes de uma mudança recente e persistente no funcionamento do intestino.
  • Vem acompanhado de algo mais? Sangue nas fezes, perda de peso sem querer, diarreia que não passa, vômitos ou febre mudam a conversa. Os sinais estão detalhados mais abaixo.

Se a resposta for "não" para as três, o mais provável é que a investigação se resuma a ajustes de rotina e de preparo dos alimentos. Se for "sim" para qualquer uma, vale agendar uma avaliação médica em vez de tentar resolver sozinho com dietas da internet.

Gases, distensão e aerofagia: três coisas diferentes

Na linguagem do dia a dia, tudo vira "gases", mas os profissionais de saúde separam situações que parecem parecidas e têm causas distintas.

Gases (flatulência)

É a eliminação de gás pelo ânus. Pode ser frequente, ter mais ou menos cheiro e variar bastante conforme a alimentação do dia anterior.

Estufamento (sensação de inchaço) e distensão (barriga que aumenta de fato)

Uma revisão sobre o tema, publicada na Clinical Gastroenterology and Hepatology, descreve o estufamento como uma sensação de gás preso, pressão e plenitude na barriga, e a distensão como um aumento mensurável do perímetro abdominal. Os dois podem aparecer juntos ou separados. Segundo os autores, eles costumam coexistir com outros distúrbios funcionais do aparelho digestivo, como a síndrome do intestino irritável, a dispepsia funcional e a constipação funcional, e podem ter várias origens: intolerâncias alimentares, infecção intestinal anterior que desorganizou a microbiota, sensibilidade aumentada do intestino, trânsito lento e reflexos anormais entre o intestino e a musculatura da barriga. A mesma revisão reconhece que o tratamento pode ser difícil e que nenhum esquema funciona sempre, por isso a base é identificar a causa, avaliar a gravidade, orientar e combinar expectativas (Lacy, Cangemi e Vazquez-Roque, 2021).

Aerofagia (engolir ar demais)

Na aerofagia, a pessoa engole grandes quantidades de ar, que se acumulam no aparelho digestivo e causam distensão e estufamento. Uma revisão do Clinical Gastroenterology and Hepatology trata o arroto excessivo como um comportamento a ser manejado e lembra que, em quem tem aerofagia, não há íleo (paralisia do intestino), de modo que cirurgia exploratória não está indicada (Bredenoord, 2013). Esse diagnóstico é do médico, e não se deve presumir aerofagia diante de barriga distendida com dor forte ou vômitos. O autor da revisão lembra que arrotar é considerado normal e só passa a ser problema quando se torna muito frequente ou persistente.

Na prática, algumas situações aumentam o ar engolido: comer muito rápido, falar durante as refeições, mascar chiclete o dia todo, tomar bebida com gás e usar canudo com frequência. Pequenos ajustes de comportamento, como mastigar mais devagar e fazer pausas, podem ajudar e não têm custo.

Feijão causa gases demais? O que os estudos mostram

O feijão tem fama de vilão do intestino. Ele contém oligossacarídeos, como rafinose, estaquiose e verbascose, que nós não digerimos e que as bactérias do intestino grosso fermentam. A fama tem fundo de verdade, mas pode ser exagerada.

Pesquisadores americanos reuniram dados de três estudos, feitos originalmente para avaliar marcadores de doença do coração, com 17, 29 e 80 participantes. Os adultos comeram meia xícara de feijão por dia, durante 8 ou 12 semanas, e responderam a um questionário semanal sobre gases, mudança das fezes e estufamento. Menos da metade relatou aumento de gases com feijão-pinto ou com feijão assado em conserva (baked beans) na primeira semana de cada estudo, e apenas 19% relataram aumento com feijão-fradinho. Entre 3% e 11% das pessoas também relataram mais gases mesmo com a dieta de controle, sem alimento formador de gás. Os autores concluíram que a preocupação com gases por causa do feijão pode ser exagerada, e que há variação individual conforme o tipo de feijão (Winham e Hutchins, Nutrition Journal, 2011).

Isso não significa que ninguém sinta desconforto. Significa que, para a maioria, o sintoma é menor do que o medo, e que cortar feijão do prato sem motivo clínico abre mão de um alimento básico da mesa brasileira, rico em fibras e proteína vegetal. No Brasil, o feijão com arroz é a base da alimentação de muita gente e faz parte da rotina de muitas famílias. Quem quer saber quanta fibra precisa por dia pode ler o texto quanta fibra comer por dia.

Preparo de leguminosas: como reduzir o desconforto sem abrir mão do feijão

O preparo doméstico faz diferença. Um estudo da Unicamp avaliou o feijão-carioca preparado de formas diferentes. Quando o feijão ficou de molho antes do cozimento e a água do molho foi descartada, houve redução de 25,0% de rafinose, 24,8% de estaquiose e 41,7% de verbascose nesse preparo. É importante dizer que esse trabalho mediu o teor dos açúcares no alimento e usou ratos para avaliar o valor nutritivo; ele não mediu gases em pessoas. Portanto, o resultado mostra que o molho reduz os compostos que fermentam, mas não prova, sozinho, que cada pessoa vai sentir menos gases (Queiroz et al., Journal of Nutritional Science and Vitaminology, 2002).

Com essa ressalva, algumas práticas de cozinha são seguras e fáceis de testar:

  • Deixar o feijão de molho antes de cozinhar e descartar a água do molho, trocando por água limpa para o cozimento.
  • Cozinhar bem, até o grão ficar macio, e temperar com cebola, alho e ervas ao gosto.
  • Começar com porções pequenas se você come pouco feijão hoje, e aumentar aos poucos ao longo das semanas.
  • Variar as leguminosas: lentilha, grão-de-bico, ervilha e feijões de tipos diferentes costumam ser tolerados de maneira diferente. A receita de feijão com legumes e couve é uma forma simples de servir a porção com verduras.
  • Mastigar devagar, para reduzir também o ar engolido.

O mesmo raciocínio vale para brócolis, couve-flor, repolho e outras crucíferas: elas têm fibras e compostos fermentáveis, e algumas pessoas sentem mais gases com elas. Cozinhar, variar e fracionar a porção costuma ajudar mais do que eliminar o grupo inteiro, que tem papel importante em uma alimentação equilibrada.

Outras causas possíveis de gases e estufamento

Nem todo gás vem do feijão. Algumas causas merecem ser lembradas porque mudam a conduta:

  • Intolerância à lactose: leite e derivados podem causar gases, estufamento e diarreia em quem tem baixa atividade da lactase. Uma diretriz da Sociedade Britânica de Gastroenterologia sobre diarreia crônica lembra que a deficiência de lactase é muito comum em grupos étnicos não caucasianos e sugere teste do hidrogênio expirado, quando disponível, ou a retirada da lactose para investigar a suspeita (Arasaradnam et al., Gut, 2018).
  • Adoçantes à base de polióis: sorbitol e outros polióis (como o xilitol), comuns em chicletes, balas e produtos "diet" ou "zero", aparecem na mesma diretriz como causa possível de diarreia quando consumidos em quantidade grande. Por serem pouco absorvidos, também podem favorecer gases em pessoas sensíveis.
  • Constipação: quando as fezes ficam retidas, a fermentação aumenta e o gás tem mais dificuldade de passar. O texto sobre intestino preso e o que comer detalha o manejo alimentar.
  • Síndrome do intestino irritável e outros distúrbios funcionais: causam dor, estufamento e alteração do hábito intestinal, com diagnóstico feito pelo médico.
  • Doença celíaca e doenças inflamatórias do intestino: são menos comuns, mas são investigadas com exames de sangue e de fezes quando há diarreia associada. A mesma diretriz britânica recomenda exames de sangue para excluir anemia e doença celíaca e exame de fezes para inflamação.

Por isso o ideal é investigar antes de cortar. Retirar grupos inteiros de alimentos antes de um diagnóstico pode mascarar uma doença, como a celíaca, que exige consumo de glúten para o teste ser confiável. Se houver suspeita, fale com o médico antes de mudar a alimentação por conta própria.

Dieta de baixo FODMAP: quando faz sentido

FODMAP é a sigla, em inglês, para um grupo de carboidratos fermentáveis presentes em muitos alimentos, como feijões, algumas frutas, cebola, alho e trigo. Uma metanálise em rede publicada na Gut reuniu 13 ensaios clínicos com 944 pacientes com síndrome do intestino irritável. A dieta de baixo FODMAP ficou em primeiro lugar no ranking para sintomas globais, dor, estufamento e distensão e hábito intestinal. Ela foi superior à dieta habitual na melhora dos sintomas globais e superior ao aconselhamento dietético padrão britânico para estufamento e distensão, mas, para o hábito intestinal, não foi superior a nenhuma outra intervenção. Os autores ressaltam que a maioria dos ensaios foi feita em serviços especializados e não avaliou a reintrodução dos alimentos nem a personalização da dieta (Black, Staudacher e Ford, 2022). A diretriz do Colégio Americano de Gastroenterologia recomenda uma tentativa limitada dessa dieta em pacientes com síndrome do intestino irritável para melhorar os sintomas globais (Lacy et al., American Journal of Gastroenterology, 2021).

Três pontos importantes sobre esses resultados. Primeiro, eles valem para quem tem síndrome do intestino irritável, diagnosticada pelo médico, e não para qualquer pessoa com gases. Segundo, a recomendação fala em tentativa limitada, ou seja, uma fase de restrição com reintrodução planejada depois, e não uma dieta eterna. Terceiro, é uma dieta restritiva, que deve ser acompanhada por nutricionista para não empobrecer a alimentação nem criar medo de comer. Quem usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, como as sulfonilureias, deve conversar com o médico antes de mudar de forma importante a alimentação, porque cortar alimentos pode alterar o padrão de glicemia. Qualquer ajuste de medicamento é decisão do médico.

Diário de sintomas: como investigar sem adivinhar

O diário de sintomas é uma ferramenta simples e útil. Por duas semanas, anote em um caderno ou no celular:

  1. o que comeu e bebeu, com horário e porção em medidas caseiras;
  2. o que sentiu depois (gases, estufamento, dor, arrotos, diarreia ou prisão de ventre) e quanto tempo depois;
  3. a intensidade de 0 a 10, só para você comparar os dias;
  4. o horário e o aspecto das evacuações;
  5. fatores do dia: estresse, sono ruim, pressa para comer, remédios, ciclo menstrual;
  6. se ficou muito tempo sem comer e depois comeu rápido.

No fim do período, procure repetições. Se o incômodo aparece sempre depois do mesmo alimento, é uma pista. Se aparece em dias de pressa, independentemente do que comeu, a pista é outra. Leve o diário à consulta: ele poupa tempo e evita testes de eliminação desnecessários. A calculadora de fibras e outras ferramentas do site, em ferramentas, ajudam a olhar para o conjunto da alimentação.

Exemplo de um dia para quem sente gases

Este exemplo é ilustrativo e não é prescrição, sem número de nutriente nem meta de calorias. O objetivo é mostrar como manter fibras e leguminosas ao longo do dia, em porções moderadas e bem distribuídas, em vez de concentrar tudo em uma refeição. As quantidades dependem de avaliação individual.

  • Café da manhã: 1 fatia de pão integral com 1 ovo mexido, 1 banana pequena e café ou chá sem excesso de adoçante.
  • Lanche da manhã: 1 iogurte natural (ou bebida vegetal sem açúcar, se houver suspeita de intolerância à lactose) com 1 colher de sopa de aveia.
  • Almoço: 3 colheres de sopa de arroz, meia concha de feijão que ficou de molho e foi bem cozido, 1 filé pequeno de frango grelhado, salada de alface e tomate e 1 porção de abobrinha refogada.
  • Lanche da tarde: 1 fruta de sua tolerância (mamão ou laranja, por exemplo) e um punhado pequeno de castanhas.
  • Jantar: sopa de legumes com carne desfiada, como a sopa de legumes com carne desfiada, ou omelete com legumes e uma batata cozida.
  • Hidratação: água ao longo do dia, em goles, sem exagerar nas bebidas com gás.

Repare que o feijão aparece em porção moderada e preparado com cuidado, e não foi cortado. Se alguma preparação específica incomodar de forma repetida no diário, ela pode ser ajustada com o nutricionista sem eliminar o grupo todo.

Hábitos que ajudam no dia a dia

  • Mastigue devagar e faça as refeições sentado, sem pressa e sem telas.
  • Fracione as refeições se refeições muito grandes causam estufamento.
  • Aumente as fibras aos poucos, com água, em vez de mudar tudo em um dia. Quem já teve obstrução intestinal, tem estreitamento do intestino, está em crise de diverticulite ou fez cirurgia no intestino deve falar com o médico antes de aumentar fibras.
  • Mexa o corpo: uma caminhada leve depois das refeições pode ajudar o intestino a funcionar. Para outras ideias de rotina, veja como desinchar a barriga.
  • Observe chicletes, balas e produtos "zero" com adoçantes do tipo poliol, que podem piorar o quadro em pessoas sensíveis.
  • Cuide do sono e do estresse, que influenciam o intestino por meio da ligação entre o cérebro e o sistema digestivo.

O acompanhamento nutricional pode ajudar a organizar essas mudanças de forma individual, dentro da área de gastro e intestino, sempre em conjunto com o médico quando houver suspeita de doença.

Sinais de alerta e quando procurar o médico

Gases e estufamento, na maior parte das vezes, são benignos. Alguns sinais, porém, exigem atenção em dois níveis.

Procure pronto atendimento ou ligue para o SAMU 192 se houver

  • dor abdominal muito intensa, de início súbito ou que piora rápido;
  • barriga muito distendida e dura, com vômitos repetidos e sem conseguir eliminar gases nem fezes;
  • sangramento intenso pelo ânus, fezes pretas e com cheiro forte, ou vômito com sangue;
  • febre alta junto com dor abdominal forte;
  • desmaio, falta de ar, dor no peito, suor frio ou sinais de desidratação grave, como não urinar por muitas horas e muita sede com tontura.

Avise o seu médico, sem esperar o incômodo passar, se houver

  • sangue nas fezes que se repete;
  • perda de peso sem querer;
  • mudança persistente do hábito intestinal que você não sabe explicar, ou diarreia que não melhora;
  • sintomas que acordam você à noite ou pioram de forma progressiva;
  • anemia já detectada em exame, fraqueza ou cansaço fora do comum;
  • vômitos que se repetem, dor persistente ou dificuldade para engolir;
  • histórico familiar de doença celíaca, doença inflamatória intestinal ou câncer de intestino.

Não existe uma diretriz feita só para gases. A diretriz britânica de diarreia crônica, que usamos aqui como referência para sinais de alarme intestinais em geral, cita a mudança inexplicada do hábito intestinal, o sangue persistente nas fezes e a perda de peso involuntária, e indica encaminhamento para investigação quando aparecem (Arasaradnam et al., 2018). Ela não foi escrita para quem tem apenas gases, então serve como orientação geral e não substitui a avaliação do seu médico. Em resumo: em caso de dúvida, o seguro é perguntar ao profissional, e não esperar.

Referências

  1. Manichanh C, Eck A, Varela E, Roca J, et al. Anal gas evacuation and colonic microbiota in patients with flatulence: effect of diet. Gut, 2014;63(3):401-408. PubMed.
  2. Winham DM, Hutchins AM. Perceptions of flatulence from bean consumption among adults in 3 feeding studies. Nutr J, 2011;10:128. PubMed.
  3. Queiroz KS, de Oliveira AC, Helbig E, Reis SM, Carraro F. Soaking the common bean in a domestic preparation reduced the contents of raffinose-type oligosaccharides but did not interfere with nutritive value. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo), 2002;48(4):283-289. PubMed.
  4. Lacy BE, Cangemi D, Vazquez-Roque M. Management of chronic abdominal distension and bloating. Clin Gastroenterol Hepatol, 2021;19(2):219-231.e1. PubMed.
  5. Bredenoord AJ. Management of belching, hiccups, and aerophagia. Clin Gastroenterol Hepatol, 2013;11(1):6-12. PubMed.
  6. Black CJ, Staudacher HM, Ford AC. Efficacy of a low FODMAP diet in irritable bowel syndrome: systematic review and network meta-analysis. Gut, 2022;71(6):1117-1126. PubMed.
  7. Lacy BE, Pimentel M, Brenner DM, Chey WD, et al. ACG Clinical Guideline: Management of irritable bowel syndrome. Am J Gastroenterol, 2021;116(1):17-44. PubMed.
  8. Arasaradnam RP, Brown S, Forbes A, Fox MR, et al. Guidelines for the investigation of chronic diarrhoea in adults: British Society of Gastroenterology, 3rd edition. Gut, 2018;67(8):1380-1399. PubMed.

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Vinícius Graton · CRN-9 9877

Perguntas frequentes

Soltar gases muitas vezes ao dia é normal?

Em geral, sim. Em um pequeno estudo da revista Gut, 20 pessoas saudáveis tiveram em média 7,4 eliminações de gás durante o dia com alimentação habitual, e o volume de gás após uma refeição padrão foi semelhante ao de pessoas que se queixavam de flatulência. O que pesa é o incômodo e a presença de outros sintomas. Cada caso depende de avaliação individual.

Preciso cortar feijão se tenho gases?

Não sem motivo clínico. Em três estudos com meia xícara de feijão por dia, menos da metade relatou mais gases na primeira semana, e uma pequena parte (3% a 11%) também relatou mais gases com a dieta de controle. O preparo com molho e boa cocção, as porções menores e o aumento gradual costumam ajudar. Se o desconforto persistir, vale investigar com o médico e o nutricionista antes de eliminar o alimento.

Deixar o feijão de molho resolve?

Reduz os açúcares que fermentam. Em um estudo com feijão-carioca, o molho antes do cozimento, com descarte da água, reduziu rafinose, estaquiose e verbascose. Esse estudo mediu o alimento, não os gases em pessoas, então o efeito individual varia.

Qual a diferença entre gases, distensão e aerofagia?

Gases são os que saem pelo ânus. Estufamento é a sensação de barriga cheia e pressão, e distensão é o aumento real da barriga. Aerofagia é o hábito de engolir ar em excesso, que pode causar distensão e estufamento. As causas e o manejo são diferentes, por isso a avaliação importa.

A dieta de baixo FODMAP é para todo mundo?

Não. Os resultados favoráveis dos ensaios são em pessoas com síndrome do intestino irritável, e a diretriz recomenda uma tentativa limitada, com acompanhamento. Por ser restritiva, deve ser orientada por profissional, e quem usa insulina ou sulfonilureia deve falar antes com o médico por causa do risco de hipoglicemia.

Probiótico ajuda nos gases?

A revisão sobre estufamento cita probióticos entre as opções de tratamento, mas afirma que nenhum esquema funciona de forma consistente para todos. A escolha de qualquer suplemento deve ser conversada com o médico ou o nutricionista, para saber se faz sentido no seu caso.

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