Pular para o conteúdo
Vinícius Graton, Nutrição Clínica Agendar consulta
Início › Saúde em dia › Diabetes

Colesterol alto: o que comer, o que reduzir e exames

Colesterol alto: o que comer e o que reduzir, segundo diretrizes de 2025 e 2026. Entenda não-HDL, Lp(a) e os exames que o médico pode pedir.

Vinícius Graton · CRN-9 9877Publicado em · 16 min de leituraConteúdo informativo, escrito por nutricionista.
Aveia com linhaça, feijão, sardinha assada, abacate, azeite, maçãs e nozes sobre mesa de madeira clara

No colesterol alto, o prato ajuda trocando gordura saturada por insaturada, aumentando fibras solúveis (aveia, feijão, frutas com casca) e evitando gordura trans. A dieta muda o LDL, mas pouco a Lp(a), que é sobretudo genética. Meta e remédio são decisões médicas, e o que cabe a você depende de avaliação individual.

Poucos exames geram tanta dúvida quanto o perfil lipídico. Muita gente descobre o colesterol alto numa rotina, corta ovo e manteiga por conta própria e repete o exame esperando uma queda rápida. Este texto reúne o que as diretrizes mais recentes dizem sobre o que comer, o que reduzir e quais exames o médico pode pedir, incluindo o colesterol não-HDL e a lipoproteína(a), a Lp(a), dois itens que ganharam espaço nas recomendações. O conteúdo é informativo, sem promessa de resultado, e não substitui consulta médica ou nutricional.

Por que o assunto voltou à tona

Em 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou a nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (Rached et al., 2025). Em 2026, o colégio e a associação de cardiologia dos Estados Unidos publicaram uma diretriz de manejo da dislipidemia que substitui a de 2018 e trata do colesterol alto, dos triglicerídeos altos e da Lp(a) elevada (Blumenthal et al., 2026). Dois pontos chamam a atenção na diretriz brasileira: o colesterol não-HDL como meta ao lado do LDL e a recomendação de medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida em adultos, posição também defendida num consenso europeu de 2022. Ambos aparecem mais abaixo. Do texto americano, consultei apenas o resumo, que descreve o escopo do documento; por isso ele entra aqui só como contexto, sem números, e os valores deste artigo vêm da diretriz brasileira. Diretrizes são atualizadas com frequência: confira na fonte oficial; informação de novembro de 2026.

Uma ressalva importante: diretriz é um documento para profissionais de saúde, e as metas dela são definidas pelo médico a partir do seu risco cardiovascular, não da média da população. O papel da alimentação é apoiar esse tratamento, nunca competir com ele.

Colesterol não é vilão: o que cada número do exame diz

O colesterol é uma gordura necessária ao corpo, usada na formação de hormônios e das membranas das células. O problema aparece quando certas partículas que o carregam, as lipoproteínas, ficam em excesso no sangue e se depositam nas paredes das artérias. O perfil lipídico costuma trazer:

  • Colesterol total: soma de tudo, útil como visão geral, mas pouco específico;
  • LDL-c: o colesterol das partículas de baixa densidade, conhecido como "colesterol ruim";
  • HDL-c: o colesterol das partículas de alta densidade, o "colesterol bom";
  • Triglicerídeos (TG): outro tipo de gordura no sangue, muito sensível a açúcar, álcool e excesso de calorias;
  • Colesterol não-HDL: o colesterol total menos o HDL, ou seja, o colesterol de todas as partículas que podem entupir a artéria, e não só do LDL.

A diretriz brasileira de 2025 reconhece o não-HDL como meta coprimária junto ao LDL, especialmente em quem tem triglicerídeos elevados, situação em que o LDL isolado pode subestimar o risco. As metas são escalonadas por categoria de risco. Como exemplo do intervalo, o documento traz alvos de LDL de menos de 115 mg/dL para risco baixo até menos de 40 mg/dL para risco extremo, e de não-HDL de menos de 145 mg/dL até menos de 70 mg/dL nessas mesmas categorias. Qual é a sua categoria quem diz é o médico, que considera idade, pressão, diabetes, tabagismo, histórico familiar e outros fatores.

O que reduzir: gordura saturada, gordura trans e refinados

A diretriz brasileira recomenda, para o tratamento das dislipidemias, menos de 7% do valor calórico total em gorduras saturadas e não ingerir gordura trans, ambas com recomendação forte e alta certeza da evidência. As gorduras totais ficam na faixa de 20 a 35% das calorias. Em linguagem de prato, isso significa olhar com atenção para:

  • Gordura saturada: gordura aparente de carnes, pele de frango, embutidos (salsicha, linguiça, bacon), manteiga, queijos amarelos gordurosos, creme de leite, sorvete cremoso, biscoitos recheados, óleo de coco e de palma em produtos industrializados;
  • Gordura trans: aparece em alguns produtos industrializados, como certas margarinas duras, biscoitos, salgadinhos e massas folhadas. Leia o rótulo e desconfie de "gordura vegetal hidrogenada" na lista de ingredientes;
  • Açúcares adicionados e carboidratos refinados: a diretriz destaca que trocar gordura saturada por carboidrato refinado favorece o aumento dos triglicerídeos e a queda do HDL, o que também se associa a mais risco cardiovascular.

Este último ponto desfaz um erro frequente: cortar a gordura e encher o prato de pão branco, bolacha e doce não melhora o quadro. A Cochrane, em revisão de 15 ensaios clínicos com cerca de 59 mil participantes, encontrou que reduzir a gordura saturada por pelo menos dois anos diminuiu em 21% os eventos cardiovasculares combinados (risco relativo 0,79), com pequenas reduções do colesterol total e do LDL. A mesma revisão não achou efeito claro sobre a mortalidade por todas as causas e concluiu que trocar a gordura saturada por poli-insaturada ou por carboidrato parece útil, enquanto o efeito da troca por monoinsaturada ficou incerto (Hooper et al., 2020). Já o posicionamento da Associação Americana do Coração (AHA) conclui, com base na totalidade das evidências, que reduzir a gordura saturada e substituí-la por gorduras insaturadas, em especial as poli-insaturadas, reduz a incidência de doença cardiovascular, dentro de um padrão alimentar saudável como o mediterrâneo ou o DASH (Sacks et al., 2017). O mesmo documento ressalta que trocar a gordura saturada por carboidratos refinados e açúcares não se associou a menos doença cardiovascular, e a revisão Cochrane não distingue o tipo de carboidrato usado na troca.

Sobre o ovo e outros alimentos ricos em colesterol, as fontes consultadas para este texto não trazem um limite numérico, e por isso nenhum é dado aqui. A quantidade e a frequência dependem do seu perfil, e quem tem colesterol muito alto, histórico familiar forte ou doença cardiovascular deve combinar com o médico e o nutricionista quanto e com que frequência incluir cada fonte.

O que colocar no lugar: gorduras boas e fibras solúveis

A substituição da gordura saturada por insaturada é a base da orientação. A diretriz brasileira cita como exemplos as monoinsaturadas (azeite de oliva e abacate) e as poli-insaturadas (peixes gordurosos e sementes de linhaça), que reduzem o LDL e se associam à prevenção cardiovascular. Os alvos de referência do documento são cerca de 15% das calorias em monoinsaturadas e de 5 a 10% em poli-insaturadas. Na prática, isso vira:

  • azeite de oliva para temperar a salada e finalizar o feijão, com a quantidade ajustada à sua necessidade calórica;
  • abacate em pequenas porções, no lugar de maionese ou creme de leite;
  • peixes como sardinha, atum, salmão e cavala, em substituição a carnes processadas em parte da semana;
  • linhaça e chia moídas em iogurte, vitamina ou mingau;
  • castanhas, nozes e amendoim sem sal, em porção pequena.

As fibras solúveis formam um gel no intestino, atrasam o esvaziamento do estômago e reduzem a absorção de colesterol, conforme descreve a diretriz brasileira, que traz, como recomendação condicional (certeza moderada da evidência), a ingestão de pelo menos 25 g de fibras totais por dia, incluindo betaglucana (da aveia), psyllium, leguminosas e frutas com casca. Para saber o quanto isso significa em feijão, frutas e grãos, veja o texto Quanta fibra comer por dia.

Cuidado ao aumentar as fibras: faça de forma gradual e com bastante água, porque o excesso de uma vez pode causar gases e desconforto, e suplementos de fibra como o psyllium exigem líquido e orientação profissional. Quem tem doença intestinal, dificuldade para engolir, histórico de obstrução intestinal ou usa medicamentos de uso contínuo deve falar antes com o médico, já que a fibra pode atrapalhar a absorção de alguns remédios.

Uma meta-análise clássica de 67 ensaios controlados, que avaliou fibras como pectina, farelo de aveia, goma guar e psyllium, mostrou que 2 a 10 g de fibra solúvel por dia se associam a reduções pequenas, porém significativas, do colesterol total e do LDL, e que o efeito é modesto dentro da faixa prática de consumo. Os autores concluíram que aumentar a fibra solúvel dá só uma pequena contribuição ao tratamento dietético (Brown et al., 1999). Ou seja: alimentos ricos em fibra solúvel, como a aveia, valem a pena e fazem parte do cuidado, mas não substituem o restante do plano nem o tratamento médico quando ele é indicado. Para uma opção prática de café da manhã com aveia, há a receita de aveia dormida com cacau e banana.

Peso, movimento e álcool entram na conta

Perder peso, quando há excesso, também ajuda. A diretriz brasileira relaciona a perda de 8 a 10% do peso a uma redução de 5 a 10 mg/dL no LDL, de 20 a 30 mg/dL nos triglicerídeos e a um aumento de 3 a 5 mg/dL no HDL. O efeito sobre o LDL é mais discreto do que sobre os triglicerídeos, e manter o peso perdido a longo prazo é desafiador, por isso o acompanhamento contínuo importa mais do que uma dieta de poucas semanas. Evite dietas muito restritivas e de jejum prolongado sem orientação: além de difíceis de manter, podem causar hipoglicemia em quem usa insulina ou sulfonilureia, como detalhado mais adiante.

Sobre atividade física, o documento recomenda ao menos 150 minutos por semana de exercício aeróbico de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa, com benefício descrito principalmente sobre HDL e triglicerídeos. Antes de começar um programa, a avaliação clínica é recomendada. Sobre bebida alcoólica, a recomendação da diretriz é que a ingestão não é indicada para prevenção e tratamento da aterosclerose, e consumo elevado se associa a aumento de triglicerídeos e do colesterol total.

Exemplo de um dia alimentar com porções caseiras

O cardápio abaixo é um exemplo ilustrativo, não é prescrição, e mostra apenas como organizar o dia. As quantidades variam conforme peso, fome, gasto de energia e exames, e as trocas dependem de preferência, rotina e tolerância. Pessoas com doença renal, usuárias de insulina ou de outros medicamentos para glicemia, gestantes e quem tem triglicerídeos muito altos precisam de orientação específica. Sobre os ovos que aparecem no exemplo: as fontes consultadas, incluindo a diretriz brasileira, não fixam um limite de ovos, então a quantidade e a frequência ideais devem ser individualizadas com o médico e o nutricionista, principalmente se o colesterol for muito alto ou houver doença cardiovascular.

Café da manhã

  • 3 colheres de sopa de aveia em flocos cozida no leite ou na água, com 1 colher de sopa de linhaça moída;
  • 1 fruta com casca, como 1 maçã ou 1 pera pequena, ou 1 fatia de mamão;
  • 1 ovo cozido ou 1 fatia de queijo branco;
  • café ou chá sem açúcar.

Lanche da manhã

  • 1 pote pequeno de iogurte natural com 1 colher de sopa de chia;
  • ou um punhado pequeno de castanhas sem sal.

Almoço

  • 1 prato de salada crua e legumes, ocupando pelo menos metade do prato, com 1 fio de azeite;
  • 1 concha de feijão ou lentilha;
  • 1 filé médio de peixe assado ou de frango sem pele, do tamanho da palma da mão;
  • 3 a 4 colheres de sopa de arroz integral.

Lanche da tarde

  • 1 fruta com casca e 1 colher de sopa de pasta de amendoim sem açúcar;
  • ou 1 iogurte natural com 1 colher de sopa de aveia.

Jantar

  • legumes refogados ou assados com 1 fio de azeite;
  • 1 omelete de 1 ovo com folhas, ou 1 porção de sardinha ou atum;
  • 1 fatia pequena de abacate ou 2 colheres de sopa de grão-de-bico.

Repare no que o cardápio faz: troca carne gordurosa e embutidos por peixe, ovos e leguminosas, usa azeite e abacate como gordura principal, coloca fibra solúvel em quase todas as refeições e não depende de produto "zero" ou de alimento mágico. Se você tem resistência à insulina ou diabetes junto com o colesterol alto, veja também Resistência à insulina: o que comer.

Exames que o médico pode pedir

O ponto de partida é o perfil lipídico: colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos, com o não-HDL calculado. A diretriz brasileira diz que, para a avaliação inicial, é aceitável coletar a amostra sem jejum, em particular em crianças e idosos, e que colesterol total, HDL, LDL e não-HDL não sofrem influência do estado alimentar. Se os triglicerídeos estiverem acima de 440 mg/dL numa amostra sem jejum, recomenda-se nova coleta em jejum de 12 horas, a critério do médico. Os valores desejáveis de triglicerídeos são de menos de 150 mg/dL em jejum e de menos de 175 mg/dL sem jejum. Pergunte ao seu médico ou ao laboratório se precisa de jejum para o seu caso.

Aproveitando, vale conhecer dois exames que costumam gerar dúvida:

  • Apolipoproteína B (ApoB): conta o número de partículas aterogênicas. A diretriz traz metas para ela e sugere considerar a ApoB quando o LDL e o não-HDL já estão na meta, para decidir sobre intensificar ou não o tratamento;
  • Lipoproteína(a), ou Lp(a): partícula parecida com o LDL, cuja concentração é majoritariamente determinada pela genética.

Lp(a): por que medir uma vez e por que a dieta pouco muda

A diretriz brasileira recomenda dosar a Lp(a) uma vez na vida em adultos da população geral, quando o exame estiver disponível, para ajudar na estratificação de risco, com recomendação forte e certeza moderada da evidência. Em pessoas com doença arterial coronariana precoce, estenose aórtica, hipercolesterolemia familiar ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce ou de Lp(a) alta, a recomendação é a mesma, com certeza alta da evidência. O consenso da Sociedade Europeia de Aterosclerose chega a uma posição parecida: dosar ao menos uma vez em adultos, considerando a Lp(a) um fator de risco causal e contínuo, que importa mesmo quando o LDL é baixo (Kronenberg et al., 2022).

O documento brasileiro recomenda que o exame seja feito por método que expresse o resultado em nmol/L. O valor de menos de 75 nmol/L (equivalente a menos de 30 mg/dL) é usado como referência para estratificar o risco, e a diretriz informa que não há meta terapêutica definida. Elevações muito altas, a partir de 390 nmol/L (180 mg/dL), indicam risco cardiovascular marcadamente elevado, com taxa de eventos semelhante à de dislipidemias genéticas em que a triagem familiar é recomendada.

Aqui está o ponto que interessa a quem busca o que comer: a diretriz brasileira informa que a concentração da Lp(a) não é influenciada pela dieta e é amplamente determinada pela genética, então a alimentação tem pouco a oferecer para reduzi-la. A diretriz também informa que estatinas e ezetimiba, os medicamentos de uso mais comum, não reduzem a Lp(a), e que tratamentos específicos ainda estão em estudo. Sem terapias específicas, o consenso europeu recomenda controle precoce e intensivo dos demais fatores de risco, de acordo com o risco cardiovascular global e o nível da Lp(a). Em outras palavras, se o exame vier alto, a resposta não é uma dieta radical, e sim cuidar ainda melhor do LDL, da pressão, da glicemia, do peso e do tabagismo, com o médico. A boa alimentação continua valendo, porque ela atua nesses outros fatores.

Suplementos e alimentos funcionais: o que a diretriz diz

A diretriz brasileira trata suplementos como uma estratégia adicional para quem não atinge as metas apenas com mudança de estilo de vida, com recomendação condicional e certeza moderada, e reconhece que a evidência é variável. Entre os citados com impacto no LDL estão fitosteróis, arroz de levedura vermelha e probióticos e, para triglicerídeos, o óleo de peixe. Dois alertas pesam. Sobre os fitosteróis, o texto informa que evidências genéticas recentes indicam um possível efeito aterogênico, o que reforça a necessidade de ensaios com desfechos cardiovasculares antes de uma recomendação ampla. Sobre o arroz de levedura vermelha, ele contém monacolina K, composto semelhante à lovastatina, uma estatina. Por isso, não é produto "natural e inofensivo": usar sem orientação, ou junto com estatina prescrita, pode somar efeitos e riscos. Decidir por qualquer suplemento é com o médico. Gestantes, lactantes e pessoas que usam medicamentos de uso contínuo devem passar por avaliação médica antes de qualquer suplemento ou fitoterápico.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento

Procure um pronto atendimento ou ligue para o SAMU (192) imediatamente se houver:

  • dor, aperto ou pressão no peito, que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas;
  • falta de ar súbita, suor frio, enjoo intenso ou desmaio;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo, boca torta ou dificuldade para falar;
  • dor forte e persistente na parte alta da barriga, principalmente em quem já sabe que tem triglicerídeos muito altos, às vezes com vômitos;
  • barriga muito inchada e dolorida, com vômitos e sem conseguir eliminar fezes ou gases, principalmente depois de aumentar as fibras, o que pode indicar obstrução intestinal;
  • dor muscular intensa com urina escura em quem usa estatina, que pode indicar lesão muscular grave.

Avise seu médico, sem urgência mas sem demora, se:

  • o colesterol veio alto em exame, mesmo sem sintoma, pois colesterol alto costuma ser silencioso;
  • há infarto, AVC ou morte súbita na família, principalmente em idade jovem;
  • usa estatina ou outro medicamento e sente dor muscular, fraqueza ou cansaço fora do comum (não suspenda por conta própria);
  • houve piora dos exames mesmo com mudanças na alimentação;
  • pretende iniciar suplemento, jejum prolongado, dieta restritiva ou uso de caneta emagrecedora.

Um cuidado específico: pessoas que usam insulina ou medicamentos da classe das sulfonilureias têm risco de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue) ao passar muitas horas em jejum, inclusive no preparo para o exame de sangue, ou ao adotar dieta restritiva. Sinais como tremor, suor frio, tontura, fome súbita, confusão e palpitação pedem atenção imediata, e a conduta sobre medicamento e jejum deve ser combinada com o médico antes, nunca ajustada por conta própria.

Erros comuns que atrapalham

  • Cortar gordura de todo tipo e substituir por refinados e açúcar, o que pode piorar triglicerídeos e HDL;
  • Esperar queda do colesterol em poucos dias: o corpo e o exame respondem em semanas a meses, e cada pessoa responde de um jeito;
  • Achar que alimento "light", "zero" ou "natural" resolve o problema sem olhar o rótulo;
  • Parar o medicamento por conta própria porque o exame melhorou;
  • Tentar baixar a Lp(a) com dieta, quando a causa é principalmente genética;
  • Ignorar o resto do quadro: pressão, glicemia, tabagismo, peso e sedentarismo pesam tanto quanto o prato.

Referências

  1. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2025. Arq Bras Cardiol, 2025;122(9):e20250640. PubMed; DOI.
  2. Blumenthal RS, Morris PB, Gaudino M, et al. 2026 ACC/AHA/AACVPR/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA Guideline on the Management of Dyslipidemia. Circulation, 2026;153(17):e1154-e1276. PubMed; DOI.
  3. Kronenberg F, Mora S, Stroes ESG, et al. Lipoprotein(a) in atherosclerotic cardiovascular disease and aortic stenosis: a European Atherosclerosis Society consensus statement. Eur Heart J, 2022;43(39):3925-3946. PubMed.
  4. Hooper L, Martin N, Jimoh OF, et al. Reduction in saturated fat intake for cardiovascular disease. Cochrane Database Syst Rev, 2020;5:CD011737. PubMed.
  5. Sacks FM, Lichtenstein AH, Wu JHY, et al. Dietary fats and cardiovascular disease: a presidential advisory from the American Heart Association. Circulation, 2017;136(3):e1-e23. PubMed.
  6. Brown L, Rosner B, Willett WW, Sacks FM. Cholesterol-lowering effects of dietary fiber: a meta-analysis. Am J Clin Nutr, 1999;69(1):30-42. PubMed.

Quer transformar a orientação das diretrizes em um cardápio feito para os seus exames? Agende uma teleconsulta e receba o plano na área do paciente, em até 7 dias (ou até 15 dias se precisar fazer exames). Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou nutricional. Você também pode estimar sua meta de fibras nas calculadoras do site e conhecer a página de nutrição para colesterol alto e fígado gorduroso.

Agendar teleconsulta

Vinícius Graton · CRN-9 9877

Perguntas frequentes

Qual é o colesterol não-HDL e por que ele importa?

É o colesterol total menos o HDL, portanto reúne o colesterol de todas as partículas capazes de se depositar nas artérias. A diretriz brasileira de 2025 o reconhece como meta coprimária ao lado do LDL, principalmente em quem tem triglicerídeos altos. A meta do seu caso é definida pelo médico conforme o risco.

Preciso fazer jejum para medir o colesterol?

Segundo a diretriz brasileira, para a avaliação inicial é aceitável a coleta sem jejum, e colesterol total, HDL, LDL e não-HDL não são influenciados pela alimentação recente. Se os triglicerídeos vierem muito altos sem jejum, o médico pode pedir nova coleta com jejum de 12 horas. Quem usa insulina ou sulfonilureia deve combinar o jejum com o médico por causa do risco de hipoglicemia.

A dieta consegue baixar a Lp(a)?

A concentração da Lp(a) é majoritariamente determinada pela genética, e a alimentação tem pouco a oferecer para reduzi-la. O que ajuda é controlar bem os outros fatores de risco, com o médico. A diretriz brasileira recomenda dosar a Lp(a) uma vez na vida em adultos, quando disponível.

Ovo faz mal para quem tem colesterol alto?

As fontes consultadas para este texto não definem um limite de ovos, e o foco da diretriz brasileira está em reduzir a gordura saturada, evitar a gordura trans e aumentar as fibras. A frequência e a quantidade de ovo dependem do seu perfil de risco e devem ser definidas com o médico e o nutricionista, sobretudo se o colesterol for muito alto ou houver doença cardiovascular.

Aveia e feijão baixam o colesterol de verdade?

Há efeito, mas pequeno. Uma meta-análise de 67 ensaios, que avaliou fibras como pectina, farelo de aveia, goma guar e psyllium, encontrou reduções modestas do colesterol total e do LDL com 2 a 10 g de fibra solúvel por dia. Alimentos ricos em fibra solúvel servem como parte do plano, e não como substitutos do tratamento médico quando ele é indicado.

Em quanto tempo o colesterol melhora com a alimentação?

Não há prazo que valha para todo mundo. A resposta varia com o ponto de partida, a genética, o peso, a adesão e o uso de medicamentos. O exame é repetido no intervalo definido pelo médico, e o acompanhamento contínuo vale mais do que uma mudança de poucos dias.

Glicose alta? Eu monto seu plano a partir dos seus exames.Teleconsulta com retorno incluso
Agendar →
Fale no WhatsApp